Damião Ramos Cavalcanti

Enquanto poeta morrer, a poesia haverá de viver

Textos


                                 A pobreza cuida da humanidade...

          Posicionou-se como se estivesse a reger um coral. Bateu com o dorso da faca num copo americano, silenciando o refeitório que tomava a quotidiana sopa de feijão: “Sou salesiano; estou percorrendo o nordeste. Hoje, Fidel Castro tomou o poder em Cuba. Ele é a queda da democracia, a morte da religião. Orai pelos cristãos que lá serão mártires e pela queda de Fidel. Caso contrário, acontecerá a queda do catolicismo” (...) Finalizado esse decorado discurso, Francisco Pereira Nóbrega olhou para Juarez Benício Xavier com olhar de censura; o reitor Luís Gonzaga Fernandes encobriu com o guardanapo seu riso irônico e o Seminário voltou ao barulho dos seus trezentos alunos. Era 1959. E assim, aos meus doze anos, ouvi, pela primeira vez, o nome desse lendário Spartacus latino. Os tempos passaram e contradisseram a profecia daquele catastrófico mensageiro. Jamais se ouviu o dito “anticristo” pronunciar uma só palavra contra Jesus (...) As dificuldades políticas, criadas por “autoridades” eclesiásticas sobre a Revolução Cubana, foram superadas pela reconciliação que o líder cubano fez com o Papa João Papa II que decidiu receber Fidel Castro no Vaticano, retribuindo depois essa visita com sua histórica visitação a Cuba (...)
          Tudo  acima extraí da minha primeira crônica Fidel Castro, no Natal de 2007, neste Jornal, do Sistema Correio, nave bem conduzida pelo seu timoneiro nos mares da comunicação, do avanço econômico e político, o empresário de sucesso Roberto Cavalcanti.
         Hoje, Natal de 2014, o Papa Francisco, depois de 55 anos, definitivamente corrige aquele padre salesiano que esfriou a minha sopa: cuida de aproximar Obama a Raul Castro, colocando-os, num refeitório sem barulho, diante de uma receita: preparar caminhos que nos distanciem de uma ultrapassada rígida separação ideológica para um oceano de águas unidas, de dias venturosos para as Américas, para o mundo, longe da tensão odiosa, ao fim da maniqueísta “guerra fria”. Enfim, no mundo não há somente dois oceanos, dois continentes, apenas dois mares, e, sobretudo, só uma ilha... Que imagine o caro leitor não poder vender, comprar ou trocar no comércio internacional... Como crescer? Foi o bloqueio imposto pelo poder econômico “macarthista” a cubanos para causar-lhes insucessos. Disso, sofrem consequentes preconceitos, até mesmo os médicos que trabalham noutros países... Contudo, esses jovens conseguiram, na ilha isolada, proezas; uma delas: “Na noite de Natal, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana"... 
Damião Ramos Cavalcanti
Enviado por Damião Ramos Cavalcanti em 20/12/2014
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